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Qualquer Um. Outubro de 2011
Lembro-me de fazer brincadeiras com um casal de amigos ao contratar o serviço deles e logo perguntar se o serviço estava pronto. Eu recebia sempre a mesma resposta: Quando você vai daqui para o Rio de Janeiro você enxerga o Pão de Açúcar?
A resposta obviamente era não. Porém sempre ficou uma lição muito clara disso: cada coisa tem o seu tempo. Quando fazemos um projeto aqui no escritório temos uma série de ferramentas para minimizar riscos e tentar torna-lo o mais próspero possível aos nossos clientes. Isso aqui é o que chamamos de primeira regra geral. Geralmente a tarefa de análise de complexidade do projeto fica para as pessoas mais experientes. De tempos em tempos, damos algumas dessas tarefas aos novatos sob a supervisão de alguém para motivá-los a enxergar mais longe. Porém, em mais de setenta por cento dos casos, eles não conseguem terminar o trabalho e pedem para os mais velhos continuarem. A principal causa disso é a falta de motivação em continuar as coisas achando que isso é responsabilidade demais para eles. Ao encontrar resolvido exclamam: Eu conseguiria fazer isso se tivesse mais tempo! Digo a todos eles que possuíam todo o tempo do mundo, só que eles desistiram. Falo que as pessoas esquecem de trabalhar ao verem o tamanho do problema e que todas as coisas possuem o seu grau de dificuldade. E é claro que eles viram motivo de piada entre os mais velhos durante uma semana. Isso mexe com o brio deles e os trazem de volta voluntariamente a resolver os mesmos problemas com outra postura: a de que precisam vencer para serem aceitos num grupo mais seleto. As melhores cabeças de qualquer área não costumam serem “Ogros” que são especialistas num único assunto. Fazer a análise de complexidade exige conhecimento de muitas áreas e isso leva tempo para ser adquirido. O treinamento para chegar à perfeição é constante e exige um trabalho árduo de esforço pessoal. Mas como fazer isso quando se enxergam apenas problemas?
Para ensinar que as coisas são uma de cada vez há vários exemplos. A primeira coisa é lembrar que tudo é dotado de uma história. E que essa matéria, a que se aprende na escola, é fundamental para toda a vida. O Japão, por exemplo, se reergueu em menos de meio século de uma destruição imensa. A arte japonesa traduz muito bem o pensamento deles: muito treinamento, rápida execução. Isso é a essência da arte japonesa. Porém, isso não exclui outro fator: o de sempre enxergarem problemas. Esse é um dos maiores algozes de quem começa a resolver o puzzle da complexidade. Voltando a arte, a carpintaria japonesa produziu excelentes exemplos. As construções antigas são de uma beleza incrível e de perícias aguçadas que só alguém que se dedica completamente a arte consegue resolver. Todas elas são réplicas maiores de um lego: sem pregos nem parafusos, somente encaixados. O mestre carpinteiro ficava praticamente um terço do tempo amolando as ferramentas e “esvaziando a sua mente”. Entenda por esvaziar a mente torna-la aberta a novas ideias (na verdade é um muito mais que isso, mas para uma abstração nesse exemplo já serve). Recentemente, estudando cultura grega, li que eles possuíam um semi-deus chamado
Kairós que simbolizava a oportunidade. Tinha um grande topete a frente e é
De tudo isso, dizemos a eles que precisam treinar para visualizar as oportunidades e pararem de enxergar problemas. Os riscos são as maiores ameaças ao sucesso do projeto. Logo precisam ser eliminados ou mitigados. Visualizar os riscos significa apenas saber que eles existem e não como transpô-los. Geralmente esse tipo de decisão é feita em uma “mesa redonda” com todos para que as soluções venham rápidas. Depois de definida as soluções é feito o relatório final. Para tudo é aplicada uma técnica. A certa é aquela que é aprendida por experiência. Para terminar vou deixar um diálogo Zen sobre a experiência. - Mestre – perguntou o discípulo – como acertar sempre?Marcos
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